Seis dicas para participar de atos de rua, seguindo os protocolos

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“Eles combinaram de nos matar. E nós combinamos de não morrer.”
Conceição Evaristo

Bolsonaro segue sua agenda genocida para matar o maior número de brasileiros de Covid, de tiro e de fome. Prefeitos e governadores insistem em reabrir escolas. O extermínio da população negra segue, seja pela ação policial, seja pela desassistência à saúde, seja pela ausência de políticas públicas que garantam segurança alimentar. Patrões obrigam trabalhadores a se expor ao vírus enquanto se vacinam em Miami. A violência contra mulheres e a população LGBTQI corre solta. Falta motivo pra gente ir pra rua? Não. Mas falta um monte de outras coisas. Falta a compreensão de parte da esquerda de que a gente não pode adiar a luta contra Bolsonaro para as eleições de 2022, porque precisamos chegar vivos até lá. E falta segurança para ir pra rua, que é o assunto deste texto.

Vamos ser sinceros: não existe contato humano presencial que seja 100% seguro. Mas temos como conhecer os riscos reais em espaço abertos e reduzir muito as chances de adoecer. Com mais de um ano de pandemia, o conhecimento acumulado já permite prevenir a Covid de forma muito mais eficaz.

As dicas abaixo valem para todas as pessoas, inclusive para as que já se vacinaram, e aguardaram o período de 15 dias após a 2ª dose. A vacina reduz drasticamente a chance de ter a forma grave da doença, mas não elimina, não é mágica. É preciso seguir os mesmos protocolos.

1 – É preciso usar a máscara correta

Em 2020, nós usamos máscaras de pano, pois as profissionais eram muito caras e estavam faltando até para profissionais de saúde. Hoje isso mudou. As melhores máscaras são as PFF2 com o selo do INMETRO. Ainda tem modelos caros? Tem. Mas tem vários modelos sendo vendidos por preços que variam entre R$ 2,50 e R$ 6,00. Muitas são vendidas em lojas de material de construção.

É hora das entidades entenderem que fornecer máscara PFF2 é a coisa mais importante para construir um ato. Não pode ser uma decisão individual de cada manifestante. As entidades que constroem o ato têm que custear. Quantas máscaras dá pra comprar com aquela faixa enorme que seria encomendada? Quantas máscaras dá pra comprar economizando no tamanho do carro de som? Atenção sindicatos: comprem máscaras PFF2 para distribuir no ato. Inclusive podem ser entregues para a população, junto com um panfleto. Ótima forma de chamar a atenção da população para o que a gente quer falar.

2 – É preciso usar a máscara PFF2 do jeito correto

O correto é sair de casa já usando a PFF2. Porque para chegar no ato, as pessoas pegam ônibus, metrô ou dividem carro com quem mora perto. O risco tá aí, porque no transporte coletivo o ar não circula bem. Covid transmite fundamentalmente pelo ar. Quanto menos ventilado for o lugar, mais a gente tem que se cuidar no uso correto da máscara.

Ela tem de ter boa vedação. Não pode escapar ar pelos lados, pela dobra do nariz. Ainda em casa, a gente tem que ajustar os elásticos. Um vai na nuca, outro vai no alto da cabeça. Faça o teste: sopre e veja se tem ar saindo por algum lugar. Está ajustada? Então pega a bandeira e vai. Antes de sair, pegue também uma máscara reserva. Você pode precisar. Se a máscara ficar úmida, por exemplo, troque.
Com dúvida? Este site ensina tudo sobre máscaras: https://www.qualmascara.com/

3 – Não pode relaxar e dar mole durante o ato

Durante o protesto de rua as pessoas sentem sede, fome, espirram, pegam chuva. Se precisar beber água, comer alguma coisa, vá para um lugar sem pessoas perto, higienize as mãos, retire a máscara segurando os elásticos (nunca pegue a frente da máscara), higienize as mãos de novo, se hidrate, se alimente e depois recoloque a máscara também pelos elásticos. E higienize as mãos de novo. Não pode compartilhar garrafinha, copo, lata entre as pessoas, cada um leve a sua.

Por tudo isso, é importante que os atos sejam mais curtos, exatamente para evitar essas situações nas quais a pessoa precisa tirar a máscara.

4 – Higienizar as mãos e proteger os olhos

Continue levando com você o frasquinho de álcool gel. Sempre que tocar em superfícies, é importante higienizar as mãos, porque sem querer acabamos levando a mão no rosto ou nos olhos.

Considere a possibilidade de proteger os olhos – óculos de proteção simples, vendidos em lojas de material de construção, ajudam nisso. Importante que a organização do ato se planeje para também disponibilizar álcool gel aos manifestantes.

5 – A gente queria estar juntinho, mas ainda não dá

Continua valendo a regra do distanciamento físico. Ainda não está seguro abraçar, chegar junto, fazer ciranda, selfie.. Infelizmente. São dois metros de distância entre as pessoas, pra todo mundo ficar mais seguro. Cumprimente as pessoas sem encostar. E quando alguém se aproximar demais, peça para manter distância, lembrando que é para a segurança dela também. A imagem abaixo mostra a diferença que isso faz. Precisamos de todos e todas com vida e saudáveis!

Fonte: Ed. Abril. Ilustração: Laura Luduvig / Fonte: British Medical Journal/SAÚDE é Vital

6 – O combate à covid é coletivo 

Não basta eu estar protegida no ato e ninguém mais estar. A comissão organizadora do ato precisa estabelecer ações para a proteção coletiva das pessoas. Isso começa desde o planejamento e convocação(1) para o ato.  Nos atos é importante ter uma comissão de segurança em saúde que circule lembrando as pessoas para manter a distância, evitando aglomerações. Não dá pra esperar que em um ato com centenas ou milhares, todas seguirão os protocolos de segurança. Isso acontece por muitos motivos, mas também porque vivemos em um país em que o governo trabalha diariamente plantando mentiras. Aqui pra nós, vamos admitir que adotar todas as regras de segurança não é fácil. Então precisamos atuar conscientemente para que sejam seguidas. Máscaras PFF2 devem ser fornecidas, os lembretes de segurança precisam ser lembrados e relembrados no carro de som, comissões devem ser montadas. Tudo com respeito, com paciência. A saída não é individual! Cuidar dos outros é cuidar de si, o cuidado coletivo é revolucionário.

De: Esquerda Online

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