Clima e desigualdade: o que você tem a ver com isso?

Compartilhar

Por: Daiane Dultra

Os limites planetários estão chegando a um nível insustentável e, de forma inevitável, situações extremas tem acontecido com maior frequência e intensidade. Cada vez mais populações e sistemas naturais em todo o mundo estão sendo afetados por secas, chuvas intensas, ondas de calor e furacões. E a situação tende a se agravar, basta olhar para a capacidade de regeneração do planeta que já está comprometida e o aumento da temperatura da terra que pode intensificar catástrofes de escala global.

Mas não temos como pautar a crise climática sem falar e envolver sobre quem é afetado diretamente e mais profundamente por ela. Se a gente fala de agravamento da crise, a gente fala de impactos cada vez mais severos para a população mais vulnerável.

E isso é uma realidade cada vez mais presente com enchentes, deslizamentos de terra, falta de água e secas. Se a gente for falar em seca, por exemplo, estas afetam plantações, acesso a recursos hídricos e uma situação de insegurança alimentar que é muito preocupante. Hoje, no Brasil, são 116 milhões de brasileiros e brasileiras sem comida suficiente ou com fome, o que é muito contraditório, já que estamos falando do terceiro maior produtor de alimentos do mundo. A luta por um mundo mais sustentável é a luta por uma vida digna para todos e todas.  

E precisamos aprender com os verdadeiros guardiões e guardiãs da biodiversidade. Na minha trajetória tive a oportunidade de aprender com as mulheres quebradeiras de coco no Maranhão, que usam sua sabedoria para promover a defesa do babaçual e os direitos das comunidades tradicionais. Eu saúdo essas mulheres por toda a sua força. Tive a oportunidade de vê-las em uma turnê na Europa para levar seus ensinamentos, falar sobre seus modos de vida, e as vendo dialogar com tanta propriedade no parlamento europeu, não vejo como podemos falar sobre a saída da crise sem ouvi-las.

O Movimento das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB – faz parte da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que busca fortalecer os povos e comunidades do Cerrado na defesa de seus territórios, soberania alimentar e direitos. A Campanha caminha ao lado dos guardiões e guardiãs do bioma e valoriza seus saberes tradicionais e os fortalece. 

A floresta em pé é um dos principais desafios e é crucial para o equilíbrio climático, mas o desmatamento nunca chegou a níveis tão críticos, de modo a preocupar não somente ambientalistas, mas também toda a comunidade internacional. A boiada de Salles avançou e sua saída do Ministério precisa ser comemorada, mas não temos como desmobilizar, já que a política destrutiva com o meio ambiente continua com um ministro que mantém-se firme na defesa da bancada ruralista.

E nosso papel é fundamental. A pressão por uma política ambiental mais justa e inclusiva, que garanta a floresta em pé, a proteção dos biomas e dos modos de vida está na ordem do dia. 

Os indivíduos também precisam assumir uma atitude de maior responsabilidade com a crise climática, somar forças, encontrar alternativas na nossa rotina para contribuir de verdade com a crise. Isso pode ser feito a partir de uma mudança radical na nossa forma de consumir, de nos locomover nas cidades, de preservar o meio ambiente, de apoiar organizações como o MIQCB e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, votar em pessoas comprometidas com a luta e pressionar para que não haja retrocessos legais e políticos. É lembrar que isso pode fazer uma diferença grande na vida de muitas pessoas. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *