13 livros para entender o golpe de 2016

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A partir de obras escritas no calor da hora, denunciando o desmonte; e de estudos recentes que trazem informações e balanços comparativos, seleção ajuda a compreender o que fizeram com o país nos últimos cinco anos

Para alguns, o golpe começou nas manifestações de 2013. Outros contam a partir de março de 2014, meses antes das eleições presidenciais, quando lançaram a Lava-Jato. E como esquecer a Ação Penal 470, tentativa piloto de desestabilização do governo Lula, reeleito e defendido nas urnas de 2006?

Oito anos depois, o governo Dilma também seria defendido nas urnas. Apesar dos ataques – diários e em praticamente todos os veículos da mídia corporativa – 54,5 milhões de brasileiros reelegeram Dilma naquele conturbado ano de 2014. Ela, porém, nunca conseguiu exercer o segundo mandato.

O golpe já estava em curso.

Os treze livros aqui relacionados estão longe de esgotar o tema. Reunindo obras escritas no calor da hora, em denúncia sobre o desmonte; e estudos mais recentes, que trazem informações e balanços comparativos, a seleção abaixo nos permite compreender o que aconteceu com nosso país nos últimos cinco anos.

São textos, inclusive, que nos colocam diante de diversas violações ainda em curso, tornando mais e mais estridente o silêncio da imprensa corporativa, principal baluarte da Lava-Jato e inconteste protagonista na quebra do pacto democrático, consumada na sessão do Senado, em 31 de agosto de 2016.

Boas leituras

13 livros sobre o golpe 2016


Clique no título para acessar a íntegra dos livros ou adquiri-los pela editora:

Brasil: cinco anos de golpe e destruição (FPA, 2021)
Sandra Brandão (org.), apresentação de Dilma Rousseff, prefácio de Aloizio Mercadante

Em seu prefácio sobre a obra, Aloizio Mercadante aponta que “a reconstrução do Brasil para o presente e a transformação do país para o futuro impõe a necessidade de um balanço sistemático de tudo aquilo que foi subtraído da Sociedade e desmontado do Estado nesse período. Nesse sentido, por ocasião dos 5 anos do golpe, a Fundação Perseu Abramo (FPA) oferece esta publicação com o balanço dos impactos do golpe para o Brasil nas mais diversas áreas das políticas públicas” como cidadania, direitos e inclusão; desenvolvimento sustentável; infraestrutura; política externa; Estado, diálogo e democracia. Também são analisadas questões como Covid-19, a expulsão do povo do orçamento e a farsa do ajuste econômico. 

Confira aqui a resenha de César Locatelli e acompanhe o lançamento do livro nesta terça (31.08) pelo canal da FPA no YouTube

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Golpe de 2016 e a Corrosão da Democracia no Brasil(Paco Editorial, 2020)

Mara Regina do Nascimento, Idalice Ribeiro Silva Lima, Gilberto Cézar de Noronha (Orgs). Com prefácio de James N. Green, e introdução de Luis Felipe Miguel.

Em 2018, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em História Política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), organizou o curso O golpe de 2016 e o futuro da democraciasobre “o processo histórico e da percepção sobre o afastamento e a cassação do mandato de Dilma Rousseff”. Resultado do curso, a publicação analisa “como e por que foi possível afastar Dilma da presidência da república com os frágeis argumentos utilizados”; “quais os fundamentos sociais, políticos e históricos que sustentaram o chamado Golpe de 2016?”; e como “este acontecimento político esgarçou as fragilidades da democracia brasileira”.

 Confira a apresentação da obra aqui e adquira aqui.

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O Colapso da Democracia no Brasil: da Constituição ao Golpe de 2016
(Expressão Popular/ Fundação Rosa Luxemburgo, 2019)

Luis Felipe Miguel

Professor de Ciência Política na UnB, Luis Felipe Miguel foi pioneiro na montagem dos cursos sobre o golpe que se espalharam pelas universidades brasileiras em 2016. Neste livro, ele procura responder “como foi possível que o regime democrático e o sistema de direitos construídos no Brasil ao longo de mais de duas décadas ruíssem em tão curto prazo?”. Resposta que “reside nas relações de força entre os grupos sociais no Brasil e na maneira pela qual nossas instituições – isto é, as instituições da democracia eleitoral inaugurada após o fim do regime e hoje fraturada – as expressavam”; e que passa “pela revisão das ilusões que alimentaram a transição democrática brasileira”. 

Acesse a obra aqui , leia a entrevista do autor a Mariana Serafini e assista aqui ao curso sobre o golpe de 2016.

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Brasil: incertezas e submissão?(FPA, 2019)

José Sergio Gabrielli de Azevedo e Márcio Pochmann (Orgs)

Refletindo sobre o desmonte ocasionado pelo golpe, já com a inclusão do desgoverno Bolsonaro, o livro se divide em três grandes partes que abrangem a construção e a forma de ação do governo Jair Bolsonaro, o desmonte do Estado e a destruição da sociedade. Na primeira parte, são analisados a comunicação, as formas de governar e o papel dos militares no governo Bolsonaro. O desmonte do Estado é trabalhado na segunda parte do livro, abrangendo as áreas de petróleo e gás, educação, saúde, assistência social entre outras. Já a destruição da sociedade é abordada a partir das mudanças no mundo do trabalho, da desestruturação regionale do retrocesso nas políticas de gênero e LGBT e contra o racismo.

 Acesse a íntegra aqui

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Foi Golpe! O Brasil de 2016 em análise (Pontes Editora, 2019)

Ana Carolina Galvão, Junia de Mattos Zaidan, Wilberth Salgueiro


O livro resulta das discussões do curso “Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil e na América Latina”, realizado na Universidade Federal do Espírito Santo. Em seu prefácio, o professor Gaudêncio Frigotto (UERJ) explica que “os doze textos [do livro] primam pela clareza e densidade no desvelar as várias faces e os diferentes sujeitos, manifestos ou ocultos que construíram o golpe de Estado de 2016. Um golpe que esconde, em seu ritual formal, parlamentar e jurídico, o grau maior de violência sobre direitos daquilo que é historicamente nossa tragédia de ditaduras e golpes institucionais para interromper processos de mudanças que afetam os privilégios de velhas e novas oligarquias. Este golpe repete a história, agora como farsa, e nela está a sua letalidade”.

 Adquira aqui

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Enciclopédia do Golpe (v.2): o papel da mídia (Praxis, 2018)

Giovanni Alves, Maria Inês Nassif, Miguel do Rosário, Wilson Ramos Filho (Coord.), Mírian Gonçalves (Org.)


Em seu segundo volume, a Enciclopédia do Golpe (confira o número 1 aqui) reúne análises de jornalistas, cineastas e pesquisadores da ciência política, sociologia, economia e direito, sobre o papel da mídia na desestabilização do regime democrático.

“Na boa prática jornalística desprezada pelos meios de comunicação golpistas, o fato não é relativo – pode ser manipulado ou usado a favor de um lado numa guerra ideológica, mas continua o único fato. O resto é mentira. O que aconteceu é o que aconteceu: não existem duas versões para um Congresso que se reúne e depõe uma presidente legitimamente eleita e entrega o poder a um vice de passado nebuloso; não há duas interpretações para um Judiciário que condena inocentes inventando interpretações sobre textos legais que variam conforme o réu; não há duas visões sobre uma mídia que omite, esconde e manipula. A nossa pretensão é contar o que aconteceu, e apontar a responsabilidade de cada um dos verdadeiros protagonistas do golpe e os demais inimigos da democracia e do voto no processo de construção do pacto diabólico para demolir o futuro. A interpretação dos autores é sobre fatos, não sobre mentiras.” afirma a jornalista Maria Inês Nassif no prefácio da obra.

 Acesse a integra aqui.

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Crise e Golpe – Alysson Leandro Mascaro (Boitempo, 2018)
Alysson Leandro Mascaro


“Na obra, Mascaro parte da crise político-econômica atual e do golpe em curso para destrinchar a complexa relação entre Estado, direito e formação social. Em uma interpretação original, influenciada principalmente por EvguiéniPachukanis e Louis Althusser, o autor revela o caráter estrutural das crises e dos golpes, fundados em bases ideológicas e institucionais próprias do capitalismo. Sua análise dos juristas brasileiros e do próprio direito oferece uma nova perspectiva para o entendimento da crise. ´Tal como em 1964 não se deu apenas um golpe estritamente militar, mas um golpe de classe, também em 2016 não se dá apenas um golpe jurídico ou político, mas um golpe de classe burguesa que realinha frações dos capitais nacional e internacional para a acumulação numa situação específica de crise do capitalismo mundial e brasileiro, pós-fordista e neoliberal’, diz Mascaro” (Boitempo).

 Adquira aqui.

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A resistência internacional ao golpe de 2016

Organizadores: Carol Proner, Gisele Cittadino, Juliana Neuenschwander, Katarina Peixoto, Marilia Carvalho Guimarães

Projeto Editorial Praxis, 2016

Como aponta o advogado trabalhista Wilson Ramos Filho em seu prefácio, osartigos reunidos buscam demonstrar “que no âmbito internacional fracassaram as tentativas de justificação da substituição do programa eleitoral vitorioso nas urnas pela proposta que foi derrotada em 2014 (…) Nunca um Golpe de estado, ainda que brando, branco, parlamentar e judiciário, sem a presença de armas, foi tão denunciado internacionalmente. A melhor parcela da intelectualidade de diversos países, inúmeros veículos de comunicação em editoriais e em artigos de opinião denunciam, expõem, desnudam o Golpe de 2016 no Brasil”.

 Acesse a íntegra aqui.

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A resistência ao golpe de 2016

Organizadores: Carol Proner, Gisele Cittadino, Marcio Tenenbaum, Wilson Ramos Filho (Org).
Práxis, 2016

“Reunimos aqui advogados, professores e operadores do direito, cientistas políticos, jornalistas, filósofos, economistas, políticos, escritores, todos comprometidos com a resistência ao golpe, ainda que não necessariamente alinhados política ou partidariamente. Do papel do STF à atuação da mídia, das “pedaladas fiscais” aos meandros do Poder Legislativo, do papel dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava Jato, da crise de representatividade à ofensiva golpista, são inúmeros os recortes, ângulos e perspectivas sobre o golpe em curso no Brasil”, conta Gisele Cittadino (PUC-RIO), uma das organizadoras da obra. Acesse a íntegra aqui.

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A Classe Trabalhadora e a Resistência ao Golpe de 2016

Gustavo Teixeira Ramos, Hugo Cavalcanti Melo Filho, José EymardLoguercio, Wilson Ramos Filho – Práxis, 2016

Em meados de 2016, Hugo Mello Filho (juiz do Trabalho e professor da UFPE) destacava, em seu prefácio a ideia central do livro “de oferecer ferramentas para enfrentar as alterações legislativas e jurisprudenciais que virão, seja qual for o desfecho do processo de Impeachment”. Composto por 69 artigos, “escritos por 87 autores, entre dirigentes sindicais, professores, intelectuais, advogados, juízes, economistas, membros do Ministério Público, pesquisadores, e personalidades nacionais e internacionais”, o livro expõe, no calor dos acontecimentos, “o ataque às conquistas sociais havidas nos últimos anos e oferece instrumentos eficazes para o enfrentamento e para a luta que já está em curso e que tende ao recrudescimento”.

 Acesse a íntegra aqui.

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A radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado
Jessé Souza
Leya, 2016


“Ao escrever este livro, meu interesse é possibilitar o entendimento por parte de qualquer pessoa com formação média e boa vontade para compreender como e por que a sociedade brasileira foi enganada em um dos golpes de Estado mais torpes de nossa história. Como o mundo sempre nos é exposto em fragmentos, nossa compreensão tende a ser sempre confusa, localizada, personalizada, dramatizada e, o que resume tudo, “novelizada”. Enxergamos apenas pessoas, separadas em boas e más, e nunca percebemos os ´interesses ‘que as movem. Contrapor-se a essa leitura dominante e superficial do mundo, que é reproduzida em praticamente todos os nossos jornais e canais de televisão, é o fito deste livro”, aponta o sociólogo na introdução da obra, publicada na Folha de S. Paulo.

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Golpe 16

Renato Rovai (org.) – Publisher Brasil, 2016

“Blogueiros, jornalistas e ativistas sociais estão reunidos no livro Golpe 16, recém-lançado pela Publisher Brasil Editora. A obra revela os bastidores do golpe em curso no País, que tem como objetivo a queda da presidenta eleita Dilma Rousseff. Os artigos apresentados mostram um lado diferente da mídia tradicional, com abordagem crítica sobre a construção de um verdadeiro atentado à democracia no Brasil. Organizado por Renato Rovai, o livro oferece textos de mais de 20 estudiosos da esquerda brasileira. Além dos artigos analíticos, Golpe 16 traz ainda uma entrevista com Dilma Rousseff. O prefácio é assinado pelo ex-presidente Lula.”

 Adquira aqui.

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Boitempo – Por que gritamos golpe?

organizador: Ivana Jinkings, Kim Doria. Murilo (orgs.) Cleto

Boitempo, 2016

Como explicam os organizadores da obra, lançada em julho de 2016, “a coletânea proporciona ao leitor diversas análises sobre a dinâmica do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, dentro de uma perspectiva multidisciplinar e de esquerda. Os textos buscam desenhar uma genealogia da crise política, entender as ameaças que se colocam à democracia e aos direitos conquistados pela Constituição de 1988 e apontar caminhos de superação de nossos impasses políticos. São trinta autores, entre pesquisadores, professores, ativistas, representantes de movimentos sociais, jornalistas e figuras políticas.”

 Adquira aqui.

De: Tatiana Carlotti  – Carta Maior

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