A crise hídrica: quem paga a conta?

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Por: Daiane Dultra

Se você tem água todo dia em casa, você é uma pessoa privilegiada. Uma crise hídrica sem precedentes vem preocupando muita gente e se somando a outras crises geradas e enfrentadas por este governo. Apesar de estar ocupando a mídia, ela não é tão nova assim. Na verdade, a crise hídrica é preocupação de ativistas e especialistas há muito tempo. Sua existência impacta em vários níveis e de diferentes formas o nosso país. É bem possível que você esteja sentindo na pele o que essa crise significa e o por que que não é hora de minimizar o que está acontecendo.

A real é que, hoje, o Brasil vive a pior crise hídrica registrada nos últimos 91 anos, com escassez de chuvas e reservatórios em níveis muito abaixo do esperado. Só esse dado já impressiona, não é mesmo? Mas, veja, não temos uma perspectiva de melhora. Isso porque, nem precisa dizer, mas essa crise está diretamente e intrinsecamente ligada aos efeitos das mudanças climáticas no planeta. 

E, sim, a crise hídrica é uma crise global. Tem países que sentem mais e outros que sentem menos. Isso tem a ver com a localização geográfica, mas também com as prioridades dos governos em pautar com seriedade ou não a necessidade de olhar com mais atenção para o problema. Os alertas, ano após ano, ligaram o sinal vermelho para os governos. A diferença é que, nesse período, alguns se moveram buscando soluções para mitigar os impactos da crise climática e outros não. No nosso caso no Brasil estamos nesse segundo grupo. Não somente o governo brasileiro fecha os olhos para a gravidade da crise climática, como também a intensifica. 

Com o desmatamento desenfreado e os inúmeros crimes contra o meio ambiente, os padrões climáticos mudaram em todo o mundo e, no Brasil, estamos sentindo de maneira inédita. Os reservatórios das usinas hidrelétricas reduziram drasticamente a sua capacidade, o que vem impactando o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica. Num efeito dominó, esses impactos afetam diretamente a população mais vulnerável.

A crise também deve atingir fortemente a economia, que é aprofundada pela má gestão dos recursos hídricos, a precariedade de infraestrutura e a péssima gestão de crises desse governo. 

A conta está caindo no colo das pessoas e o governo já vem, toscamente, buscando formas de “conscientizar” a população para o uso racional de água e a redução de desperdícios. Exemplo disso é que as pessoas já estão pagando mais caro pelo consumo de energia. 

Só o agronegócio utiliza 72% da água consumida no país, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). As residências consomem 12%. 

É hora de olhar com mais atenção para o problema e reconhecer que as responsabilidades são diferentes. Sendo assim, é preciso que a indústria reconheça seu impacto e promova maiores esforços para mitigar o impacto dessa crise. Esta é uma crise que está longe de ser resolvida, mas que promete gerar muitos debates sobre quem realmente causa o problema e, no final das contas, quem paga por ela.

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