Talíria, Benedita e Mônica reforçam que “Orçamento é coisa de mulher” em evento no Rio

Compartilhar


O evento contou com diversas organizações da sociedade civil e lançou uma cartilha explicativa sobre Orçamento Participativo, que menciona porque o orçamento é um assunto fundamental na vida das mulheres.


Presidenta da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Alerj, a deputada Mônica Francisco (PSOL) reuniu as deputadas federais Benedita da Silva (PT) e Talíria Petrone (PSOL), além de Marcela Soares, professora de Serviço Social da UFF, para discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA), na última segunda-feira (25).
Além das parlamentares, mulheres cis e trans, majoritariamente, e homens de diversos segmentos sociais participaram do evento, dialogando e apresentando ações em que estão inseridos. O evento tinha como objetivo denunciar, a partir de estudo da mandata da deputada, que não há um investimento real no estado do Rio de Janeiro para as políticas destinadas às mulheres.

Discussão sobre a Lei Orçamentária Anual


“A sociedade precisa se apropriar do orçamento, principalmente no que se refere à políticas para mulheres. Por isso, fizemos plenárias com mais de 120 mulheres, e quanto mais a gente discutia, mais víamos que as mulheres estavam propositalmente distanciadas desse debate pelo Estado brasileiro”, disse a deputada Francisco, reafirmando que é fundamental a participação das mulheres para mudar os caminhos do dinheiro público.


Ao dissecar o orçamento, a parlamentar encontrou disparidades muito grandes. “Na execução orçamentária para 2022, que discutimos esse ano na Alerj, o Estado do Rio de Janeiro destinou 12 bilhões para o orçamento de segurança pública, com compra de armas, munição e financiamento de operação policial, e zero reais para as políticas específicas para as mulheres. Para a assistência social, somente 276 milhões. É muito grave”, apresentou Mônica Francisco.


A deputada Benedita da Silva esteve presente e elogiou a iniciativa de levantar o debate sobre Orçamento Participativo. “Quando fui vereadora, na primeira vez, fizemos ações nesse sentido. Naquela época, colocar favelado dentro da Câmara era um horror. Xingavam a mim e a eles. Estamos falando da maioria da população brasileira e do estado. Como o povo não pode controlar esse dinheiro público? E a maioria é a mulherada. Nós somos as maiores economistas desse país, porque foi a vida inteira administrando miséria. Tá na hora de revertermos isso”, disse a deputada, bastante aplaudida e homenageada na fala dos presentes pelos seus 80 anos, maioria deles dedicados à vida política.


Para Talíria Petrone, líder do Psol na Câmara Federal, o orçamento é o retrato do Brasil. “Ele é o espelho da vida política de uma sociedade, na medida em que ele registra, revela e explicita em que estrutura de gastos, investimentos e receitas vai se dá para o país”, disse a deputada federal. Relembrando as marcas do Brasil e a carga tributária brasileira, indagou “Qual a cor de quem se apropria dos lucros e dividendos brasileiros? Interessa que seja difícil esse assunto porque interessa a não participação popular”.


A professora Marcela Soares, que também debateu no evento, acredita que o Brasil possui uma classe dominante com características racistas e fascistizantes, por isso a dificuldade de incidir sobre o orçamento. “Eles não se importam com a nossa fome e expropriação dos nossos corpos. Ao contrário, eles estão comemorando a alta do dólar, a partir dessa dependência cambial e monetária, voltada ao agronegócio e à exportação”, finalizou a docente dizendo que entender essa conjuntura tem tudo a ver com o entendimento do orçamento.


A partir das discussões nas plenárias, o gabinete da deputada Mônica Francisco criou uma cartilha que foi lançada durante o evento e está disponível em seu site.

Clique aqui para acessar a cartilha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *